Um assunto bem discutido no mundo, também é falado no livro e no filme “Antes que o mundo acabe”
O filme juvenil, que é baseado no livro de Marcelo Carneiro da Cunha, apesar de um tanto “tolinho”, mostra alguns assuntos interessantes que dariam muito pano pra manga, pena que não foram priorizados.
Este foi um dos grandes defeitos do filme, na minha opinião: priorizou tópicos nem tão importantes e deixou a desejar em coisas necessárias.
O modo em que a diretora aborda a realidade adolescente foge bastante de realidade. É relevante que sejam adolescentes do interior e a vida deles seja mais light, light, porém, não alienada.
Tem um trecho do filme, logo no início, que a irmã de Daniel, pergunta o motivo do mal-humor de seu irmão para seu pai, o padrasto de Daniel, cujo a resposta não me agradou. Respondeu ele que eram os hormônios.
Por favor, até são, mas isso não justifica a maneira em que o personagem se porta em relação à família. A atitude do padrasto é bonita, mesmo estando neutro, sempre que pode ajuda o seu enteado. Será que isso não dá o direito do padrasto ser caracterizado como seu pai?
Daniel diz que sim, pai é quem cria. O seu padrasto, querendo ou não, foi o que estava junto a ele enquanto crescia e certamente continuaria ao decorrer de sua vida.
A chegada do pai biológico só foi uma oportunidade para conhecer uma outra realidade e saber um pouco de sua história.
O amor de Daniel pelo padrasto/pai continuaria e seria recíproco. O DNA só influência nas características físicas, algumas psicológicas quem sabe. Aquelas coisas que são faladas em alguns lugares, que o sangue é o que basta, o que decide o rumo de tudo, não existe.
No caso do livro, o tema é tratado de uma forma mais abrangente comparado ao filme, que quase não é tratado. Esse é um bom exemplo da qualidade do filme.
Se fosse o único aspecto, até tudo bem, é bastante tratado no mundo lá fora. Agora, falar um pouquinho de cada coisa sem qualidade alguma, não dá.
Valentinne Serpa